Recanto das Letras - Publicações

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O último abraço

Idéias contraditórias que transformam nossos laços em pó
Cortei os cabelos e refiz meu caminho
Mas algo ainda me fazia voltar ao passado
Alguma lembrança ainda me segura naquele quarto escuro

O ultimo abraço, as palavras que se deram fim naquele momento
Sem lagrimas, e um sorriso forçado
Minha magoa, a nossa dor
Você não pode mais ser aquele que assassina a dor.

E o seu cheiro me seguiu, sua música ecoava no meu ouvido
Eu tentava empurrar, mas tudo me fazia querer voltar para o passado
E os estragos no meu coração fez de você o que é

Sobre mim o ar esta acabando
Não havia sido assim antes,
Sinto mais sua falta do que deveria,
do que achava que poderia.


Encontrei suas roupas, e as segurei forte
Rasguei suas cartas e derramei lagrimas nas fotos
- “Eu não sei o que pode acontecer daqui pra frente”

Eu andaria o quanto fosse preciso, e voltaria se você apenas dissesse a palavra
Desapegue, destrua aquilo que te prende a mim

Agora estou sob as cobertas, pensando o que será daqui pra diante
Questionado a mim mesma, revendo tudo que fiz de errado


E assim vai
O momento vai passar.
Estou cortando as estrela com minha faca
E fazendo as malas

Abstratos

Desprenda seus cabelos
Observo seus cachos abstratos e obscenos
Caminhar compassado e destemido
Para ensolarar meu dia frio

Conte-me suas aventuras de ontem
Paixões do passado que navegam em seus olhos
Como a maré

Alegre-se com meus devaneios
Nas brisas da noite na calçada
Só mais uma musica em comum

Descabele-se, exploda suas pupilas em seus olhos cintilantes
Tudo num sentido ritmado
Colore as unhas e cante comigo

Riso descontrolado
E só mais uma vez
Esses cachos abstratos.

Poetise, sacia-se

Que estas mascaras de onde despencam fantasmas negros
Faça-me desapegar
Você tem parte do que é meu
Somos os ponteiros do relógio alojado na parede
Nuvens que nublam o céu
Ansiosos, rebeldes e promíscuos
Resumindo toda a libido num cômodo
Corpos suados, dentes cerrados
Palavras em atos, lábios e sonhos fundidos
Novos amigos, e somos outros
De outros e nossos
Se lembre do céu e se largue no chão
Chocólatras e taças
Tatue as iniciais do meu nome
Mas não se preocupe
É porque está vivendo rápido
Tateie minha mão e minha face
Afogue suas promessas no meu pranto
Discuta previsões no meu ouvido
Traduza meus medos e me acalme
Só me deixe respirar seu cheiro e saciar-me

Quando os pais vão para o céu

Em dezoito anos, ainda que pareça pouca idade, minha mente funciona e gira de forma estranha, fora do comum para pessoas da minha idade. Assim sendo, em dezoito anos ainda não consigo entender os porquês da morte, mas nesse tempo consegui estabelecer uma reação em relação a isso, não precisa se tornar normal, mas temos necessidade de nos acostumarmos com perdas. Logo me tenho ríspida, por vazes fria e insônita, por não saber reagir a determinadas sensações, em determinados momentos.
A idéia de morte desestabiliza pessoas, até a ficha cair, acontece todo um processo, que pode ser curto ou muito longo.
Minha opinião é que nos todos nós deveríamos ser preparados desde crianças para essas perdas duras, pois é algo que acontece, e não é possível evitar.
Tem aqueles que me acham fria, mas apenas me tornei tolerante quanto a esse assunto, tenho consciência de que uma hora a morte vai estar presente na vida de todos, não sejamos hipócritas, tentando afastar esse fato.
O que mais me intriga, é a reação, a forma que ainda não consegui definir; A angustia que eu não consigo expressar, o tentar imaginar como vai ser depois de não ter mais a pessoa presente. Como colocar pra fora um explosão de coisas que acontece em segundos, como analisar tudo que vai vir depois.
Mas vou lidando aos poucos, tentando me fazer mais humana, conseguindo chorar às vezes, ainda que conformada, mas a ausência ainda é o que mais incomoda, juntando tudo isso que falei acostumar-se com a ausência é o que mais me deixa aflita.
Por isso que acho que devemos nos preparar para as perda, por que infelizmente nada é infinito.

Estatuas de cera e conformação.

Têmporas latejantes, calcanhares abertos
Era um moço de camisa amarela, e canelas finas
A dor vinha soprando ao seu ouvido
Me olhou nos olhos, e beijou minha face, suspirou profundamente e partiu...
Cabelos longos, olhos claros
Sentença cumprida, comprimida no meu seio.
Quem é por você?
Se fosse dar a vida por alguém por quem você daria?
Ele sorriu malicioso, coçou a nuca
O silêncio se rompe com o meu grito..

Corpo, alma, e coração.

Tudo depende do que os olhos vêem, e do que sente a carne
Sangue e pele, cortes e cicatrizes; sequência

Uma coisa toma partido da outra
Meus olhos no relógio que compassam minha vida
Meu tempo limitado, meu limite subestimado
Procuro uma alma que me salve, talvez um anjo que aceite meus pecados
Chamadas no celular, unhas roídas...
A fraqueza é enxergada em minha face, nas minhas mãos tremulas, nas lagrimas desconhecidas

Se apagam as luzes, me conforto é um confronto entre a dor e a vontade
Entre a falência de coragem e a verdade...

Erros jamais cometidos, sonhos realizados
Do que se precisa realmente pra satisfazer uma mente cheia de indecisões?
O que é necessário para ajudar um coração que não quer bater mais?
Duvidas. Talvez nem queremos saber as respostas...
Quero
desesperadamente acordar, dessa realidade quase sonho; de que é regada minha vida...

Sem Santo, Sem sanatorio

Do que se faz nossas cabeças, se não a moda , se não o homem
Do que são feitas nossas preces, se não de desejos intangíveis
Das preces; vem promessas mal cumpridas, dores irreparáveis e feridas sem cicatrizes
De que é feito o pó que é inalado? O corpo que é invadido por promiscuosidades?
O meu café sem xícara esfria em um copo mal lavado...
A minha mente se esvaí em mares de escuridão, sem se molhar...
Jogamos cartas, perdemos amores , buscamos refugio em camas desconhecidas
Duvidamos de coisas, e procuramos respostas, afinal, finalmente: ninguém sabe o que quer, não queremos nada se não o tudo, o mundo
Homens imoldados pela fé, não querem conhecer a dor e nem a morte, mas são as primeiras que se apresentam.
Por três vezes e três noites mal dormidas, ele grita meu nome...
Perdoa-me, proteja-me de todos nessa irracionalidade abundante regada por álcool e pó
Sem idade, insanidade
O noticiário é um prato cheio de larvas que não gostamos, mas temos que engolir
Meu humor corrói suas artérias, a minha sátira corre por suas veias, mas só meu medo te distrai...
A minha fé diária é reforçada por mim mesma, pelo gole de café e um pão com manteiga, por ela só...
Sem , nem sei se sou.